21 de mai de 2013

Lírio

Paciência é plantinha pequena que precisa de calor e luz pra que venha à flor. Pois que, imaginem só vocês, diante do que a mil arranhões - ou talvez até mais- o que vem passando nossos corações que, imaturos, inseguros, indecisos, caem por medo em lama. Isso é ruim e piora a dor. Mas não houve lírio que negasse a lama para que viesse a brotar. E se? E se paciência for lírio pequeno e suave que os ventos castigantes ousam forçar a raiz perder espaço no solo? Se, ora, se eu parar com tanto se e deixar com que minha respiração volte harmônica a me oxigenar,se isso vier a acontecer, sei que meus lírios hão de chegar. Agora não há véu que cubra o que está arranhado porque a pele não consegue não transpirar o que machuca aqui dentro.Isso talvez seja necessariamente uma forma de crescimento. E crescer é em absoluto um envolvimento com a dor. "Não quero sentir" eu repito sussurrando ao meu espírito que, seguro de fagulhas que desapercebi, sabe que preciso passar por quimeras avessas se quiser realmente pacificar o turbilhão que se agita em mim. É um mar? É lamaçal ? Não importa. Do céu, a chuva ainda vem purificar e amenizar o que parece sem fim.

6 comentários:

  1. Posso sentir suas palavras, elas vieram do coração. Me identifiquei muito com seu texto, principalmente agora que me encontro em um momento de reflexão. Obrigada por traduzir esse sentimento tão lírico, tão lírio, tão frágil. <3

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    1. tenho eu que agradecer a forma como vem aqui hoje pois precisava de ler qualquer coisa que me fizesse sentir que fui entendida. é mesmo de coração.

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  2. Quanta esperança eu consegui encontrar aqui! <3
    Acabo de conhecer o seu blog e já me sinto apegada.
    Apegada com essas palavras tão bonitas e sentimentos tão puros.

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    1. me encabula você falar assim! fiquei grata com tudo o que disse.
      sou muito 'dasein' , sabe? quer dizer 'ser-aí'. isso porque sei do que eu sinto e do que eu transpareço. mas sei também que, isso é uma característica que impõe uma certa vulnerabilidade àqueles que não entendem da pureza de coração...

      mas não fique tão apegada a meu blog! ele fica mais numa caixa de lágrimas do que em brisa de pétalas :~

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  3. minha semana foi do pico ao subsolo em questão de dias, horas, segundos... senti-me mal, fragilizada e refém de meus próprios medos. "e se", "mas, se.." "não, porque...", essas foram as desculpas que mais usei para mim mesma, e as que uso para confortar meu coração até o presente momento. detesto esse "se", esse "improvável" que me atrapalha. ele é muito amigo da minha insegurança, monstra essa que só sabe me coagir. no final, quem me alenta é a esperança de que o "se", mesmo não tendo sido de todo bom, também não foi de todo ruim porque se é pra ser vai acontecer de uma forma ou de outra, se não, foi escolha, foi acaso, já passou.

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    1. É verdade. E mesmo que valham dúzias de dias inseguros em um pequeno mês, cada dia de fé bastará pelos anteriores. Eu creio que somos muito formiguinha ainda pra ter noção precisa de como vamos nos desdobrar ou o que vamos sentir depois disso. Mas não importa, sabe? Importa é que pra cada arranhão fica uma cicatriz que lembra o que já falhamos e em que já estamos um pouquinho mais amadurecidos.
      Mesmo assim, mesmo com dor ou fragilidade, tem sempre um foco de luz que nos sustenta.

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