1 de mai de 2013

Resignação

Por certo vocês haverão de notar o que as vezes, ventos cortantes trazem ao nos acariciar mãos e rostos desprotegidos. O que foi? O inverno já está aqui? Pois se, ora, não vejo ou dimensiono o pequeno gelo que me transpõe a brecha de calor, deve mesmo ser tempo geada por aqui. Sinto que se ao debruçar-me no parapeito não encontrar semente alguma ousando romper em broto o canteirinho que ali posso -ilusoriamente- cultivar, deve ser por razão do tempo que, absolutamente ferino, não espera o calor da seiva chegar. Mas não é ruim. Sei que minha respiração ainda me aquece e que, aqui dentro, brasa viva arde pulsando em meu peito. O que sinto? Sei o que posso nomear resignação e o que por ignorância passo cega à condenação. Não importa agora. Tenho sementes que já estão nascendo onde agora me debruço. Tenho árvores fecundas que não mais podem ser infringidas pelo mal-me-quer desse tempo inconstante. Há em minh'alma algo novo e quente que o frio que me maltrata não pode tocar.




3 comentários:

  1. Essa música é maravilhosa ;_; Ainda não assisti o filme, talvez eu leia o livro antes.
    Que linda a forma de escrever, Gabi! Tenho até que ler várias vezes pra assimilar tudo :3

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    1. O filme é um amorzinho. Mas o livro é com toda certeza insubstituível.
      Obrigada pelo carinho <3 ; Escrever me alivia...

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  2. So, eu passarinho e raramente comento, o que não significa que não leia ou não goste.
    É quase como por-se no seu lugar e enxergar com seus olhos, é quase como ser você e sentir o mesmo que sentes ao ler esse pequeno trecho. A musica combinou, encaixou perfeitamente.

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