8 de dez de 2013

Pó de estrela

Em absoluto, se cerro meus olhos a única certeza que consigo por milésimos abstrair é de que permaneço. Diante de fagulhas de um nunca mais a que o tempo me sentencia, todo e qualquer segundo meu passa como brisa que não é mais e que -igual pra todo mundo- foi soprado daqui. Memória não conta se o pó, por mais mágico e delicado, se a pluma por levíssima e em cócegas esvai. Por ousadia ou desespero em sussurros dedilho minhas escolhas e, antes que eu me arrependa, caio num buraco de efeitos que não consigo prever. Por mais doce a fragrância, ela vai embora e não fico senão com impressão. Vai passar, vai passar, vai passar a dor, o medo já foi embora, não há mais temor aqui, a angústia mudou de lugar e de nome. E ainda permaneço. Se abro os olhos, se me desfaço, se sou trêmula ou se sou triste. Não importa. Qualquer mínimo já desvia minha atenção ou desfoca meus sentimentos. Olha! Vê ? Sou quase infinito e não sou nada. Sou pó de estrela de reluzir etéreo e sou areia fosca que vai do nada a lugar nenhum. Sou espuma?  Sou areia? Sou estrela? Sou sonho? Permaneço.

Um comentário:

  1. Posso pegar todas as palavras desse texto e colocar num frasco de vidro e vê-las brilhando como vaga-lumes capturados? Gabi, que lindo!

    Sempre imagino que por dentro, ao invés de veias, temos galáxias. Shakespeare dizia que somos feitos da mesma matéria que compõe os sonhos e eu acho que esse é um dos mais lindos pensamentos que ele já teve. Dizem que as estrelas que vemos no céu são ilusões, memórias de estrelas que existiram, por isso gosto de acreditar que somos poeira estelar. Assim somos lembrança e ao mesmo tempo estamos aqui.

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