10 de mai de 2018

fagulhas-fada

Faz um sem fim de dias que não intento a escrita. Não tenho melhorado muito desde a última vez que pormenorizei em letras o que se passava em mim. Danço e rodopio numa tempestade impiedosa, mas que em vários momentos me apresenta cabanas de acolhimento em brechas de sol sobre a pele. Vai e volta esse sol, e também assim procedem os pingos constantes e grossos de uma chuva gélida. Meu peito é um descompasso de hipóteses e todos os "se(s)" me deixam tonta em momentos diversos levando minha mente a outras infindáveis dúvidas. Sou canto sem voz?  Meus olhos se confundem na chuva com a própria nuvem infindável e por vezes, minha própria chuva não chega a cair. Fora de mim, o mundo faz metáfora do que várias vezes vivo aqui dentro. E falo pro nada. Deixo que partam fagulhas insensíveis à tempestade e que brincam aos saltos nas poças e córregos do que desabou faz tempo no mundo dos homens. Gargalham. Não sabia eu, poder brotar criaturinhas feéricas do peito , mas elas vão e continuam a brilhar. Não sei se sou onde elas estão ou se fico antes delas partirem. O sol está em mim? Ou sou a chuva sem fim? Tanto tempo, tanto tempo. Faz frio aqui, mas do meu peito brotam ainda fagulhas-fada que se dispersam pra além do que consigo sentir. Elas queimam. Fervem em cada explosão antes de saírem aos saltos de dentro de minha alma... O que fiz eu quando decidiram partir? Ou sou a fonte e permanecem, ou sou onde elas estão... Tudo é tão breve!

Nenhum comentário:

Postar um comentário