10 de mai de 2018
fagulhas-fada
Faz um sem fim de dias que não intento a escrita. Não tenho melhorado muito desde a última vez que pormenorizei em letras o que se passava em mim. Danço e rodopio numa tempestade impiedosa, mas que em vários momentos me apresenta cabanas de acolhimento em brechas de sol sobre a pele. Vai e volta esse sol, e também assim procedem os pingos constantes e grossos de uma chuva gélida. Meu peito é um descompasso de hipóteses e todos os "se(s)" me deixam tonta em momentos diversos levando minha mente a outras infindáveis dúvidas. Sou canto sem voz? Meus olhos se confundem na chuva com a própria nuvem infindável e por vezes, minha própria chuva não chega a cair. Fora de mim, o mundo faz metáfora do que várias vezes vivo aqui dentro. E falo pro nada. Deixo que partam fagulhas insensíveis à tempestade e que brincam aos saltos nas poças e córregos do que desabou faz tempo no mundo dos homens. Gargalham. Não sabia eu, poder brotar criaturinhas feéricas do peito , mas elas vão e continuam a brilhar. Não sei se sou onde elas estão ou se fico antes delas partirem. O sol está em mim? Ou sou a chuva sem fim? Tanto tempo, tanto tempo. Faz frio aqui, mas do meu peito brotam ainda fagulhas-fada que se dispersam pra além do que consigo sentir. Elas queimam. Fervem em cada explosão antes de saírem aos saltos de dentro de minha alma... O que fiz eu quando decidiram partir? Ou sou a fonte e permanecem, ou sou onde elas estão... Tudo é tão breve!
6 de mai de 2015
temporal
Sempre considerei escrever um dos exercícios mais complicados dos quais me eram entregues por tarefa. Não que não conseguisse traçar uns parágrafos mais ou menos bem acabados mas invejei desde sempre a facilidade absurda que algumas criaturas possuíam de, mesmo que lendo tão menor quantidade de livros do que eu, expressar suas ideias com clareza e fluidez. Isso é realmente digno de ser chamado talento. Não o possuo ainda. Questão de fusos e mais fusos que se vão pois que há tempo em sopro constante até onde o universo permitir.
Nessas reviravoltas de reflexões já me entretive contemplando alguns de meus escritos sem que lhes conseguisse ir além. Sempre faltava algo de maior, ou mais terno, ou mais amargo que me impregnasse as palavras de um sentimento borbulhante ou que me auxiliasse para além das metáforas, a concluir a função curativa que é escrever. Não chegava a tal encanto.
Me sinto como que presa a um grilhão estranho e medonho. Essa incerteza que por vezes me leva a agonia de pensar até qual ponto me é possível chegar. Talvez por ser pouco lógica não consigo evitar os calafrios que me correm a espinha contemplar abismos profundíssimos ou mergulhos abissais. Tenho medo. Isso vai muito além da escrita, chegando a contemplar até mesmo minha fala. Falta-me memória possível para alicerçar todas as ideias fabulosas que tive à véspera de meus discursos. Falta-me também uma eloquência que cative e que ultrapasse meus sussurros trêmulos e instáveis. Essa timidez que me corrói cada sílaba fazendo com que minha orientação seja pra lugar algum e que meu discernimento caminhe por cordas bambas.
Mas, ah! Já passei tanto! Tem sido um constante temporal e eu não tenho abaixado a cabeça pois que, muito mais do que o que essa palpitação acelerada que me altera por completo a respiração, tenho certezas que me impelem para bem além do que dói...
Nessas reviravoltas de reflexões já me entretive contemplando alguns de meus escritos sem que lhes conseguisse ir além. Sempre faltava algo de maior, ou mais terno, ou mais amargo que me impregnasse as palavras de um sentimento borbulhante ou que me auxiliasse para além das metáforas, a concluir a função curativa que é escrever. Não chegava a tal encanto.
Me sinto como que presa a um grilhão estranho e medonho. Essa incerteza que por vezes me leva a agonia de pensar até qual ponto me é possível chegar. Talvez por ser pouco lógica não consigo evitar os calafrios que me correm a espinha contemplar abismos profundíssimos ou mergulhos abissais. Tenho medo. Isso vai muito além da escrita, chegando a contemplar até mesmo minha fala. Falta-me memória possível para alicerçar todas as ideias fabulosas que tive à véspera de meus discursos. Falta-me também uma eloquência que cative e que ultrapasse meus sussurros trêmulos e instáveis. Essa timidez que me corrói cada sílaba fazendo com que minha orientação seja pra lugar algum e que meu discernimento caminhe por cordas bambas.
Mas, ah! Já passei tanto! Tem sido um constante temporal e eu não tenho abaixado a cabeça pois que, muito mais do que o que essa palpitação acelerada que me altera por completo a respiração, tenho certezas que me impelem para bem além do que dói...
29 de jan de 2015
Florescer
Isso de cultivar mal-me-quer tem muitos limites que precisam ser ultrapassados aos poucos e obviamente, nós não transformamos espinhos em flores só por motivos de que talvez, já que acordei bem hoje, posso perdoar todo mundo. Absolutamente que não funciona assim. Tem muita gente que força a barra querendo que as coisas tomem formas que não tinham antes e, esses pragmáticos, não medem esforços para conseguirem seus bons fins. Quanta infantilidade.
Aprendi com um professor que em Exupèry, a raposa, quando diz ao principezinho que ele havia conquistado o amor da rosa estava apontando a ele de forma absolutamente maquiavélica que os o que importa são os resultados e não os meios. Mas, ora, o principezinho retruca dizendo que não intencionava aquilo (tão deontologista! o valor estava, obviamente em suas ações e não em suas consequências)…Daí vem o “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas”, frase aliás, absolutamente consequencialista.
O que importa, aliás, nesta reflexão, é entender que muitas vezes, os nossos fins não são conseguidos sem esforço. Aliás, já nos falava Aristóteles destas coisas ao lembrar que – na Ética das Virtudes – para que houvesse florescer, era necessário esforço e potência…
Haverá, sem dúvida alguma, obstáculos grandes ou pequenos que nós obviamente precisaremos passar e não há de ser de um dia pro outro que as coisas vão se encaixar tal como gostaríamos que fossem.
Não sei, acho que hoje talvez, eu esteja propensa a pensar em alguns valores que PRECISAM ser trabalhados em brasas fervilhantes para que se haja um bom resultado. Aliás, o que é a virtude? É ter o hábito de um comportamento moral, ainda que fora de vigilância ou repressão de olhares outros.
Aprendi com um professor que em Exupèry, a raposa, quando diz ao principezinho que ele havia conquistado o amor da rosa estava apontando a ele de forma absolutamente maquiavélica que os o que importa são os resultados e não os meios. Mas, ora, o principezinho retruca dizendo que não intencionava aquilo (tão deontologista! o valor estava, obviamente em suas ações e não em suas consequências)…Daí vem o “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas”, frase aliás, absolutamente consequencialista.
O que importa, aliás, nesta reflexão, é entender que muitas vezes, os nossos fins não são conseguidos sem esforço. Aliás, já nos falava Aristóteles destas coisas ao lembrar que – na Ética das Virtudes – para que houvesse florescer, era necessário esforço e potência…
Haverá, sem dúvida alguma, obstáculos grandes ou pequenos que nós obviamente precisaremos passar e não há de ser de um dia pro outro que as coisas vão se encaixar tal como gostaríamos que fossem.
Não sei, acho que hoje talvez, eu esteja propensa a pensar em alguns valores que PRECISAM ser trabalhados em brasas fervilhantes para que se haja um bom resultado. Aliás, o que é a virtude? É ter o hábito de um comportamento moral, ainda que fora de vigilância ou repressão de olhares outros.
2 de nov de 2014
Mudanças
"Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor". Madre Tereza
Me sinto aflita, por diversas vezes e, até mesmo fora de idade ou contexto quando vejo pessoas perderem minutos em crítica, porque o mundo tá "um caquinho de vidro" - viva a paráfrase! - mas ora, já que estou aqui, e da minha vida nada posso oferecer, vamos permanecer. Um brinde à inércia. Muito confortável achar que está tudo absolutamente truncado ou que a vida não tem nada exponencialmente grandioso quando a gente não trabalha para que esses pormenores absolutos venham a tomar forma e se espalhem como sementezinhas de dentes-de-leão incansáveis.
Me sinto aflita, por diversas vezes e, até mesmo fora de idade ou contexto quando vejo pessoas perderem minutos em crítica, porque o mundo tá "um caquinho de vidro" - viva a paráfrase! - mas ora, já que estou aqui, e da minha vida nada posso oferecer, vamos permanecer. Um brinde à inércia. Muito confortável achar que está tudo absolutamente truncado ou que a vida não tem nada exponencialmente grandioso quando a gente não trabalha para que esses pormenores absolutos venham a tomar forma e se espalhem como sementezinhas de dentes-de-leão incansáveis.
Eu sou potencial e possibilidade e muito além do que isso, sou aquilo que quero e minha vontade me permite alcançar.
Vejo muita gente elogiando e promovendo páginas de ONGs, falando do trabalho bonito e altruísta de outras pessoas e não sendo melhor do que clichê ao dizer que "o mundo precisa de gente assim". Mas e aí?
Vou falar uma coisa. Melhoria começa dentro da casa da gente. Se orgulho é coisa que ainda impera na sua fala e - dói reconhecer isso? - então não queira ser hipócrita dizendo que o mundo precisa melhorar.
É fácil ser agressivo ou sem educação. Quero ver quem consegue dar a cara a tapa quando outra pessoa fala alguma ignorância ou age por impulso ferindo nossa vaidade. Não to falando em ser passivo, mas ser suficiente sábio pra entender e não julgar impulsos.
Mas se você acha que isso tudo é difícil demais e que os obstáculos são muitos, não vá criticar a forma como as coisas se desenvolvem na sociedade em que você está inserido.
Você é co-autor de tudo o que acontece em menor ou maior extensão, uma vez que uma pequena atitude sua muda um dia inteirinho de uma pessoa e que isso vai transcorrer num ciclo em que ela vai afetar outras e outras pessoas...
Vejo muita gente elogiando e promovendo páginas de ONGs, falando do trabalho bonito e altruísta de outras pessoas e não sendo melhor do que clichê ao dizer que "o mundo precisa de gente assim". Mas e aí?
Vou falar uma coisa. Melhoria começa dentro da casa da gente. Se orgulho é coisa que ainda impera na sua fala e - dói reconhecer isso? - então não queira ser hipócrita dizendo que o mundo precisa melhorar.
É fácil ser agressivo ou sem educação. Quero ver quem consegue dar a cara a tapa quando outra pessoa fala alguma ignorância ou age por impulso ferindo nossa vaidade. Não to falando em ser passivo, mas ser suficiente sábio pra entender e não julgar impulsos.
Mas se você acha que isso tudo é difícil demais e que os obstáculos são muitos, não vá criticar a forma como as coisas se desenvolvem na sociedade em que você está inserido.
Você é co-autor de tudo o que acontece em menor ou maior extensão, uma vez que uma pequena atitude sua muda um dia inteirinho de uma pessoa e que isso vai transcorrer num ciclo em que ela vai afetar outras e outras pessoas...
2 de out de 2014
Cubos de açúcar
Não sei se vocês já sentiram um pouco de marasmo ao pensar no quanto ainda vocês precisarão passar ou se sou uma sofredora por antecipação absoluta. O fato é que o motivo dessa ansiedade muitas vezes me deixa um pouco encabulada com meus dias presentes e ansiosa por alguns momentos em que determino mentalmente como essenciais. Não sei a relevância disso tudo, afinal, já não é atoa que segundo que é segundo passa devagarinho e gotejante. Mas não importa. Não importa a receita agora porque o que vale é o bolo depois; Ou não importa o bolo depois porque vale melhor a próxima receita e etcétera .Já que parece um pouco cansativo essas indas e vindas de sentidos projetados, mas deveria ser igualmente fácil não articulá-las de forma tão operante em nosso subconsciente.
Eu ando muito bem, obrigada. Claro que com minhas dorezinhas e com minhas possibilidades boas e não, não tão legais assim. Mas a pesar de me consumir pelo próximo cubo de açúcar antes que que o primeiro privilegie meus sentidos, estou caminhando bem na medida da minhas criatividade ao longo do que posso fazer por mim ou do que preciso realmente fazer sem que para isso haja interesse.
26 de jul de 2014
Um sonho
Eu pude ver que do alto de onde despencavam algumas pedrinhas, meus pés tocavam o chão. A extensão marítima abarcava tudo quanto eu conseguia enxergar e não menos salgadas, as lágrimas quentes, perpassavam meu rosto absolutamente gélido pelo vento forte que me cortava em dor, cada partezinha do corpo. Meu vestido que até o solo contava extensão, ia e vinha com força e com a mesma falta de leveza, eu apertava as mão em punho contra meu tórax. Meu sangue, em gotas pequeninas, roçava meu braço direito, até o cotovelo, de onde, encerrando sua jornada, gotejava no tecido suavíssimo em reviravoltas do meu vestido. Meu motivo estava tão distante quanto o que não me era permitido alcançar e, nosso pacto pegajoso e vermelho, ainda me lembrava do quanto eu estava borbulhando por dentro. Afinal, meu olhar buscava qualquer coisa que me desse certeza de que você - ainda que demorasse - retornaria ao que havia ficado como promessa. Estranho como me lembro disso tudo como se o mar fosse menor infinitas vezes do que minha possibilidade de tocar tudo quanto representasse sua alma com meu pensamento. Mas isso tudo foi tão rápido, tão rápido. Quando acordei hoje, não havia você, não havia mar, não havia sangue nenhum. Mas era tão absoluto que não podia descrer do que senti.
21 de jun de 2014
Sentir
Por quantas incontáveis vezes eu fechei e reabri este espaço sem que para isso não fossem necessários mais do que sentimentos que brotassem em cascata em meu espírito. Digo isso porque, é bem certo que de tudo quanto escrevo e tento imprimir aqui, estão absoluta e profundamente, acima de qualquer divagação, momentos que me levam a reflexões cheias de vida - ainda que esta vida seja imersa em doses de dor.
Eu uso, na maior parte das vezes, minha escrita como um gatilho pro que não consigo expressar e que me faz querer chorar ou ter alguma resposta diante de algum drama - por mais íntimo ou desajeitado que possa ser. Não que isso soe sentimentalista. Me contradigo, absolutamente o é...
O fato é que ando precisando de muito mais do que xícaras de chá ou palavras para conseguir elaborar um mar de coisas às quais venho tentando com elas amadurecer. Uma chave pequena e simples com a qual tenho me deparado em momentos em que não adianta nada: oração. Não existe orvalho mais leve ou poção mais delicada à angústia do que quando, em humildade, curvamos nosso espírito diante de algo bem maior e bem mais sutil do que nossas mentes conseguem transbordar com adjetivos. O nome desse Ser, a profundidade que o envolve bem como a capacidade de sentir absoluta é um dos pormenores mais doces...
Eu uso, na maior parte das vezes, minha escrita como um gatilho pro que não consigo expressar e que me faz querer chorar ou ter alguma resposta diante de algum drama - por mais íntimo ou desajeitado que possa ser. Não que isso soe sentimentalista. Me contradigo, absolutamente o é...
O fato é que ando precisando de muito mais do que xícaras de chá ou palavras para conseguir elaborar um mar de coisas às quais venho tentando com elas amadurecer. Uma chave pequena e simples com a qual tenho me deparado em momentos em que não adianta nada: oração. Não existe orvalho mais leve ou poção mais delicada à angústia do que quando, em humildade, curvamos nosso espírito diante de algo bem maior e bem mais sutil do que nossas mentes conseguem transbordar com adjetivos. O nome desse Ser, a profundidade que o envolve bem como a capacidade de sentir absoluta é um dos pormenores mais doces...
2 de jan de 2014
Gratidão
Nossos pés tocavam o lodo escorregadio e o chuvisco que tocava nossos ombros era absolutamente mais quente do que a água à qual estávamos submersas. O nosso apoio estava no não saber até onde as pedras se estendiam. Esse é o maior problema de quem busca uma cachoeira lodosa. A água não é transparência aos pés. Mais rápido do que uma faísca que se esvai, meu corpo perdeu o apoio e, as mãos que me apoiavam esvaíram junto do meu corpo para um buraco que eu não conseguia alcançar ao fim com a ponta dos dedos. Um anjo de carne tentava nos jogar à margem e o verde que os olhos alcançavam junto ao grito oprimido pela tosse desenhava uma resignação desesperada por oxigênio. Não havia mais mão que tocasse pois cada fluxo de ar era tomado por água. O anjo, enfim, empurrou nossos corpos a um lugar onde outros anjos esperavam para nos amparar...
Gratidão é a certeza da falta de esperança que rodopia sua mente e que se desfaz por um segundo de alguém que decide mudar um fim.
Gratidão é a certeza da falta de esperança que rodopia sua mente e que se desfaz por um segundo de alguém que decide mudar um fim.
8 de dez de 2013
Pó de estrela
Em absoluto, se cerro meus olhos a única certeza que consigo por milésimos abstrair é de que permaneço. Diante de fagulhas de um nunca mais a que o tempo me sentencia, todo e qualquer segundo meu passa como brisa que não é mais e que -igual pra todo mundo- foi soprado daqui. Memória não conta se o pó, por mais mágico e delicado, se a pluma por levíssima e em cócegas esvai. Por ousadia ou desespero em sussurros dedilho minhas escolhas e, antes que eu me arrependa, caio num buraco de efeitos que não consigo prever. Por mais doce a fragrância, ela vai embora e não fico senão com impressão. Vai passar, vai passar, vai passar a dor, o medo já foi embora, não há mais temor aqui, a angústia mudou de lugar e de nome. E ainda permaneço. Se abro os olhos, se me desfaço, se sou trêmula ou se sou triste. Não importa. Qualquer mínimo já desvia minha atenção ou desfoca meus sentimentos. Olha! Vê ? Sou quase infinito e não sou nada. Sou pó de estrela de reluzir etéreo e sou areia fosca que vai do nada a lugar nenhum. Sou espuma? Sou areia? Sou estrela? Sou sonho? Permaneço.
5 de nov de 2013
Voyeur
O que faz com que o que era pouco aceitável alcance a elaboração do possível é, antes de qualquer razão, a forma como sentimentalmente lidamos com os aspectos que a isso nos atrai. Rostos bonitos que escondem dor e frustração nem sempre demonstram a que realmente gostariam de viver. Mas o que importa, afinal, se julgando o que sentem os outros ou o que vestem os que passam, ou que vida levam; o que importa afinal essa antítese tão bem elaborada se na mais das vezes uma armadilha de aparência intercepta o que há de mais puro naquele que é foco ao voyeur?
Não importa a crisálida se o que desabrocha da dor é mais belo do que o desespero que nutre a auto-transformação. É isso. Crescer e amadurecer não desvincula em momento algum nossas possibilidades do olhar do outro. E Deus nos ajude que esse olhar não seja ruim. Afinal, fruto nenhum é recomendável até que o doce prove o contrário. Da mesma forma a aparência.
Não importa a crisálida se o que desabrocha da dor é mais belo do que o desespero que nutre a auto-transformação. É isso. Crescer e amadurecer não desvincula em momento algum nossas possibilidades do olhar do outro. E Deus nos ajude que esse olhar não seja ruim. Afinal, fruto nenhum é recomendável até que o doce prove o contrário. Da mesma forma a aparência.
30 de out de 2013
Cécile
Tocou o piano com a ponta dos dedos. Ali, entre sua pele e a
madeira sentiu quase um trepidar. Suspirou em voz alta, reticente. Usava um
vestido que terminava um pouco depois de seus joelhos. Era de um tecido bege e
inimaginavelmente leve. Não sei se não olhou ao chão, ou se chão não havia ali.
A menina que brincava com seus cabelos em uma traça mal feita, não sabia
exatamente a diferença entre realidade e utopia. Piscou uma, duas, três e, não
lembro se houve a quarta vez. Fez que procurava alguma coisa no quarto sem
paredes, sem chão. Ah! Havia uma janela também com cortinas delicadamente
tecidas. Florezinhas minúsculas eram representadas nela junto de um filete
quase translúcido de água (ou era impressão?). A cortina estava fechada. A
janela pendia no nada. Cécile continuou insistentemente inquieta num sem fim de
curiosidades. Mas não tocou a cortina. Por que? Não buscou o chão. Por que?
Quieta, se abraçou. E ali ficou como se ninguém houvesse
feito isso há séculos por ela. E sentiu vontade de rir. Riu. E sentiu também
vontade de chorar... riu de novo.
E agora seu riso era sem som, era sem face; sorrir talvez
fosse bastante dolorido. Chorou.
O piano iniciou sozinho uma melodia doce que embalou a menina
em seu abraço. Da música, do riso, do choro , da curiosidade e da dor, nota a
nota era tocada a Cécile.
Uma brisinha bem leve tocou o pescoço vazio da música. A
cortina abriu devagarinho e num brilho fosco de lágrima, expôs o rio e as
flores lá fora. Lá fora...
De uma pontezinha rústica, músicos acompanhavam o piano, o
abraço, a menina.
Da ponta dos pés ousou: e num instante estava lá for .
Cécile era a música então?
Ninguém a viu, ou escutou o piano. Mas a música... Cheia de
abraço, lágrima e dor não tem fim.
(é uma escrita mais antiga minha mas que me coloca suave em alguns momentos em que ~preciso~ amainar)
23 de out de 2013
empatia
Bonito pensar que a gente consegue sentir alívio quando alguém que não está próximo sai de uma situação ruim. Mas é tão mais raro ter empatia com quem passa na rua ou por quem a gente não sente afinidade. É mesmo delicado quando me coloco pensando que se abrisse a literatura em romances, história ou poesia, sentiria com muito mais força que consigo ter compaixão de alguém que ali, é herói ou miserável e que independente de eu ter conhecido esse personagem e tê-lo fitado, passado momentos meus com ele, eu consigo sentir amor. Amor, ternura, envolvimento e um mar de projeções de sentimentos meus e de tudo enquanto for de mágoa que pode muito bem estar escondida debaixo do tapete do meu inconsciente...
Mas e depois? E depois que vem a vida e eu deixo de ser leitora, que diferença faz o que eu sinto em relação a quem eu não tenho intimidade? Porque, ora, é tão mais fácil compreender um conto do que pessoas que vivem tão perto e tão longe de mim? O que impede que eu consiga abarcar a complexidade do que cada uma dessas pessoas sente?
O que falta mesmo e conhecer e entender o terreno de onde vivemos primeiro, isto é, nossa mente, pra que sabendo dos nossos vícios antes de entender o alcance que podem ter nossas virtudes, a gente consiga valorizar com simplicidade o que os outros sentem também...
30 de set de 2013
Um dia de cada vez...
Sou complexada com quem tem oportunidade e deixa passar. Fico encabulada com a forma como muita gente, convivendo com verdadeiros gênios ou tendo minutos ao lado de pessoas sábias, esquece-se que língua foi feita pra muito além do que falar da vida alheia, aprender. Mas me conformo quando penso que isso pode ser -de forma bem grandiosa- ou orgulho ferido ou ignorância demais.
Quando pensamos na quantidade de gente de coração bonito que já passou por esse planeta azul e que, muitas das vezes nós nem temos notícia dessas pessoas é engraçado notar que ao lado destes ícones,alguns sortudos vivenciaram verdadeiras lições e mesmo assim continuaram com a cabeça bem limitada e o coração embrutecido. Onde está a vergonha nossa quando vemos passar anjos que vão da lama ao lírio e que, se distinção, trabalham? O objetivo é um só: melhorar.
Hoje, uma situação boba me deixou ansiosa e com um pouco de angústia pensei sobre essas coisas. Mesmo pensando assim, eu tenho certeza que com a quantidade do que sei sou absolutamente suscetível às minhas vaidades e ao meu egoísmo e que por isso, em diversos momentos ainda vou cair no meu orgulho ferido. Ainda assim, alguns momentos brilhantes de raciocínio e mudança de conduta fazem-me sair da minha mesmice do meu inconsciente viciado tendências infantis e valem demais como triunfo pessoal :). Acho que isso deve ser o que a gente sente quando amadurece. Pena que semente nenhuma vira árvore de uma hora pra outra e muito menos dá fruto ou flor a qualquer momento. Mas é um dia de cada vez...
2 de set de 2013
Agonia
"Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão." C.G. JUNG
20 de ago de 2013
I wrote this record to stop wondering, to stop pining.
"Do you ever wonder what it would be like to be a bird? To be able to fly? What it would feel like to feel that free? Do you think birds ever feel left out? Or like they don't belong? Do you think they ever wonder if they're being a bird right?
Life is an adventure and we have it in all of us to feel that free. You could spend your whole life wondering about things... and you could miss it.
I wrote this record to stop wondering, to stop pining. " A Fine Frenzy - Album Trailer
Não sei se consigo escrever coisas levinhas se aqui dentro sinto um pouco de incerteza. O que importa é que não posso agora me perder já que meus passos marcam o que eu quero e pra onde eu devo ir. Sei que tem sido complicado. Tem sido, em absoluto, dificílimo compreender alguns momentos em que minhas emoções gritam ansiosas pra que eu tome um impulso diferente daquele que por vezes decido tomar. Dói. Mas também não quero fazer dessa dor um motivo de queda ou lamentação constante já que sei que crescer é necessariamenteum pouquinho dolorido. Penso que depois de cada noite ruim, vem o orvalho da madrugada marcando que aquela dor, aquele medo já vão passar. E passa.
Eu sei de tudo o que já passei pra sentir o que ando sentindo e questionando em forma de alfinetadas e que, resignação! Resignação porque dor diz de ferida que um dia vai cicatrizar.
Eu posso soar melancólica ou podem não importar o número de vezes que engulo seco o choro que eu poderia demonstrar. Não significa que eu não sinta.
Eu sinto. E não adianta manter asas frágeis em dias de ventania, já que pena alguma se mantém diante do que corta a superfície -mas que vai a fundo- se a gente não tomar consciência do que anda sentindo.
Só que passa.
Não sei se consigo escrever coisas levinhas se aqui dentro sinto um pouco de incerteza. O que importa é que não posso agora me perder já que meus passos marcam o que eu quero e pra onde eu devo ir. Sei que tem sido complicado. Tem sido, em absoluto, dificílimo compreender alguns momentos em que minhas emoções gritam ansiosas pra que eu tome um impulso diferente daquele que por vezes decido tomar. Dói. Mas também não quero fazer dessa dor um motivo de queda ou lamentação constante já que sei que crescer é necessariamente
Eu sei de tudo o que já passei pra sentir o que ando sentindo e questionando em forma de alfinetadas e que, resignação! Resignação porque dor diz de ferida que um dia vai cicatrizar.
Eu posso soar melancólica ou podem não importar o número de vezes que engulo seco o choro que eu poderia demonstrar. Não significa que eu não sinta.
Eu sinto. E não adianta manter asas frágeis em dias de ventania, já que pena alguma se mantém diante do que corta a superfície -mas que vai a fundo- se a gente não tomar consciência do que anda sentindo.
Só que passa.
21 de mai de 2013
Lírio
Paciência é plantinha pequena que precisa de calor e luz pra que venha à flor. Pois que, imaginem só vocês, diante do que a mil arranhões - ou talvez até mais- o que vem passando nossos corações que, imaturos, inseguros, indecisos, caem por medo em lama. Isso é ruim e piora a dor. Mas não houve lírio que negasse a lama para que viesse a brotar. E se? E se paciência for lírio pequeno e suave que os ventos castigantes ousam forçar a raiz perder espaço no solo? Se, ora, se eu parar com tanto se e deixar com que minha respiração volte harmônica a me oxigenar,se isso vier a acontecer, sei que meus lírios hão de chegar. Agora não há véu que cubra o que está arranhado porque a pele não consegue não transpirar o que machuca aqui dentro.Isso talvez seja necessariamente uma forma de crescimento. E crescer é em absoluto um envolvimento com a dor. "Não quero sentir" eu repito sussurrando ao meu espírito que, seguro de fagulhas que desapercebi, sabe que preciso passar por quimeras avessas se quiser realmente pacificar o turbilhão que se agita em mim. É um mar? É lamaçal ? Não importa. Do céu, a chuva ainda vem purificar e amenizar o que parece sem fim.
1 de mai de 2013
Resignação
Por certo vocês haverão de notar o que as vezes, ventos cortantes trazem ao nos acariciar mãos e rostos desprotegidos. O que foi? O inverno já está aqui? Pois se, ora, não vejo ou dimensiono o pequeno gelo que me transpõe a brecha de calor, deve mesmo ser tempo geada por aqui. Sinto que se ao debruçar-me no parapeito não encontrar semente alguma ousando romper em broto o canteirinho que ali posso -ilusoriamente- cultivar, deve ser por razão do tempo que, absolutamente ferino, não espera o calor da seiva chegar. Mas não é ruim. Sei que minha respiração ainda me aquece e que, aqui dentro, brasa viva arde pulsando em meu peito. O que sinto? Sei o que posso nomear resignação e o que por ignorância passo cega à condenação. Não importa agora. Tenho sementes que já estão nascendo onde agora me debruço. Tenho árvores fecundas que não mais podem ser infringidas pelo mal-me-quer desse tempo inconstante. Há em minh'alma algo novo e quente que o frio que me maltrata não pode tocar.
25 de fev de 2013
Um passo de cada vez...
Tenho estado absolutamente reflexiva sobre algumas necessidades que nós adquirimos à medida que amadurecemos. Primeiro passo então vem com o amadurecimento: quanto dolorimento pra passos tão lentos imprescindíveis em delicadeza! Vocês já pensaram que todas as vezes que a gente tem certeza que vai falhar, que tá na lama e que dali, com toda certeza não sai mais, vem alguma situação que movimenta ares de sabe-se lá onde e, enfim, aliviamos? Isso é o significado do que um dia foi trazido ao senhor Chico Xavier sobre situações difíceis ao longo de nossas escolhas: "Isso também passa.". Certo então é de que vai passar , a não ser que eu ou você sejamos masoquistas o suficiente pra viver de prazer por arranhões desnecessários e insistir em infantilidade e ignorância.
Muitos de nós vamos perdendo oportunidades únicas de conviver e sanar problemas pequenos como uma cabeça de alfinete e que, por descuido tornam-se um furacão. O que nós queremos afinal? Viver em função da quantidade de não envolvimentos e pessoas para evitar, pessoas que não querem nosso bem? Isso é plantio e colheita de cada um. Sábio conselho bíblico que diz que o plantio é livre mas a colheita é obrigatória. O que eu e você queremos então?
O tempo, entretanto caminha IGUAL pra todos nós. Faça eu uso bom ou ruim desses ponteiros, eles iram escoar por entre minhas escolhas e , que fique bem claro, eu posso até mesmo escolher não caminhar e manter-me fixo em minhas cristalizações mnemônicas: em todo meu orgulho ferido, em toda minha vaidade insana.
O que dói mais? Se um dia quando eu tiver de deixar este corpo -envelope abençoado ao meu espírito- e retornar ao Plano Espiritual quero fazê-lo consciente do tanto que decidi ser minha auxiliar ou carrasco de meu adiantamento.
O que dói mais? Se um dia quando eu tiver de deixar este corpo -envelope abençoado ao meu espírito- e retornar ao Plano Espiritual quero fazê-lo consciente do tanto que decidi ser minha auxiliar ou carrasco de meu adiantamento.
Entendemos momentos difíceis, eles também passam. Mas ficar pra sempre assim não tem deixado ninguém mais bonito ou mais feliz.
Mas isso é escolha de cada um.
25 de dez de 2012
Fantasiando
Algumas coisas tem me feito pensar insistentemente em detalhes aos quais não consigo evitar de notar. Uma delas, comentei mais cedo no meu twitter é mostrar-se como você realmente não sente, ou seja, criar máscaras e personagens.
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| Ilustração: Hanuol |
Acredito firmemente na melhora moral das pessoas e que isso é louvável; tenho fé em sentimentos bondosos e puros e sei que muita gente bonita acalenta eles por aí , nem que seja por um minutinho. Mas daí a passar a demonstrar o que você realmente não sente instantaneamente é outra conversa.
Vamos delimitar uma coisa. Todo mundo pode melhorar e, crescer é absurdamente doloroso... isso porque amadurecimento e sensibilidade envolvem mudança de hábitos cristalizados que são invariavelmente difíceis de se modificar. Afinal, ninguém vira "Madre Teresa" da noite pro dia, okay?
Reforma íntima é um assunto delicado e que merece atenção. Sou -e não escondo isso em momento algum- Espírita. E essa é uma forma de sentir e crer que me direciona inegavelmente emocionalmente. Há uma autora em especial que se chama Ermance Dufaux que me cativa sinceramente. O que ela diz? Coloca-nos que crescimento é algo que envolve PRINCIPALMENTE aceitação do que você é e sente. Dizer que você não quer sentir é simplesmente estar estagnado. Negar sentimentos é, infelizmente, desacreditar de você...
Estou dizendo isso para justificar o por quê de eu trazer esse assunto aqui.
Conheço muita gente que adota comportamentos de algo que gostariam de ser e que não são. Vamos combinar que querer ser alguém diferente de você, certamente é um caminho breve à depressão.
Então, retomando o blog, trago um apelo para o ano que vai começar à todos vocês que por aqui passarem!Não insistam em fantasiar o que vocês não são. Trabalhem para conquistar bons hábitos comportamentais, mas com certeza de que isso dói e de que vai demorar mudar. Querer parecer dá muita, muita dor de cabeça.
É meu desejo pra todos vocês :)
Luv ya.
5 de nov de 2012
Magia
"Olhava o regato brilhando ao sol e seus olhos começaram a distinguir as plantas das margens. Havia tufos de miosótis azuis, tão perto da corrente que suas folhas mergulhavam na água. Pensava com ternura em como eram lindas e maravilhosas aquelas florzinhas azuis. Não percebeu que aquele pensamento ingênuo ia aos poucos ocupando seu espírito, e que, ao mesmo tempo, outras ideias eram lentamente expulsas."O Jardim Secreto, Frances Bunnet
Tenho que confessar que este livro me trouxe novos ventos de leveza, o que foi inexplicavelmente saudável pra mim. Estou em pleno término de semestre letivo e com a mente um pouco angustiada por algumas pequenas situações que me fazem pensar demais.
Encontrei "O Jardim Secreto" na biblioteca de onde estudo e decidi ler, não só por lembrar dos vários comentários positivos ao seu respeito, como também para tentar desanuviar, sabe?
Há um momento do livro em que algo muito delicado denominado "magia" é focado. Essa magia é responsável pelas plantinhas tenras que brotam na terra, pela chuva que cai, pelos animaizinhos que conseguem fazer seus ninhos a cada estação, pelo riso das crianças e por tudo quanto há de leveza -dentro de toda acepção criativa dessa palavra- em nosso mundo.
É essa "coisa Boa" que algumas pessoas tomam por Deus e que faz sentir um enorme bem estar e confiança simplesmente porque te escuta e te faz bem.
Enquanto lia O Jardim Secreto pensei muito sobre a nossa responsabilidade perante o que faz os outros bem. Qual são nossas possibilidades dentro de tudo quanto acaricia ou fere alguém? Isso, então, entra no campo da palavra. Porque o verbo é realmente algo que constrói e desmancha com a mesma força se a gente quiser.Me senti como se alguns alfinetes resolvessem fazer brincadeiras em minha alma, por fim.É realmente -e um pouco desesperador- pensar o quanto somos capazes de afetar alguém e o quanto o fato de termos afetado essa pessoa pode criar uma sequência de reações pro bem ou não de quem convive com que atingimos com nossas palavras.
Então talvez fosse mais precioso ficar mais em silêncio e aprender observando quais são os limites dos outros e quais são os nossos limites. Isso pra que depois não venham cobranças em meio a dias que podem não ser tão bons para desembaraçar fatos muito velhos...
Essencial é respirar fundo e deixar que, talvez em uma prece, uma meditação, uma lembrança boa, sentimentos puros nos invadam numa magia perfeita para que não tenhamos oportunidades não tão felizes pra concertar depois !
De coração,
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